• Conferência de Runas e Espiritualidade Nórdica

Stadhagaldr - um método moderno para acessar forças ancestrais

Por Robson Madredeus



Stadhagaldr é uma prática de sintonização com as runas através de posturas corporais. Em Nórdico Antigo “Stadh” é postura e “galdr” encantamento, a prática visa entoar encantamentos com o corpo. O termo é moderno e baseado nas técnicas difundidas pelo mestre rúnico Friedrich Marby, na Alemanha da década de 1920, chamada a princípio de Runengymnastik ou Runenyoga. Em parceria com Siegfried A. Kummer e Karl Spieberger a prática passa a ser difundida com o nome de Stadhagaldr. Alguns autores esotéricos, como Valquiria Valhalladur, defendem a tese de que práticas corporais inspiradas nas runas são ancestrais, baseados em artefatos com representações de formas humanas em posturas que se assemelham às runas como o Gallehus Horn, um par de chifres feitos em ouro, datado do século V, encontrados respectivamente nos anos de 1639 e 1734 na Dinamarca. Apesar de não haver elementos que comprovem esta teoria ela é defendida por muitos adeptos da prática. Segundo o livro A history of pagan Europe de Prudence e Pennick Jones (1955) os antigos guerreiros nórdicos praticavam algo semelhante como preparação para o combate. A técnica, como utilizada atualmente, é baseada nos asanas da yoga indiana.

O corpo é nosso aparelho de conexão com este mundo, nele estão sintetizadas nossas possibilidades de realização e experimentação das possíveis experiências terrenais. No entanto ele não está ligado somente a Terra, é um aparelho complexo que possui vórtices de energia que circulam constantemente conectando com diferentes dimensões. No corpo coabitam a mente, a alma e o espírito, ele é um condensador de possibilidades. O corpo com sua energia densa possui portais por onde passam informações e frequências vindas de diferentes planos de consciência (ou universos), cada vórtice de energia nele contido reconfigura essas frequências e informações para que sejam assimiladas na matéria, de diferentes formas: pensamento, emoção, palavra, ação etc.

Tradições milenares pelo mundo compreendem no corpo uma possibilidade de conexão com o divino, através de exercícios corporais, danças, gestos, sons ou pela ingestão de alimentos ou bebidas sagradas que alteram o funcionamento convencional dele. Vemos isso na Yoga indiana com seus asanas e mudras, no giro dos derviches do sufismo, nas danças circulares da bruxaria tradicional, na dança dos orixás nos cultos afro-brasileiros, nas brincadeiras indígenas e em suas medicinas sagradas, no ato de ajoelhar-se durante uma missa cristã, nas posturas dos deuses no interior das pirâmides egípcias, na magia sexual, em cantos sagrados, ou seja, em todas as culturas que se tem conhecimento pode ser encontrado algum tipo de prática, envolvendo o corpo, que auxiliam na conexão com forças divinas. Isso se dá por que, por vivermos dentro do corpo é somente através dele que podemos alcançar o divino neste plano, por isso, em muitas destas tradições males que afetam o aparelho corporal são entendidos como algum tipo de desconexão com a essência divina do enfermo.

Colocar o corpo na posição de cada runa possibilita gerar uma circulação energética que simula o traçado de cada runa. O desenho da runa é identificado no plano físico ou real, seu significado atua no campo mental, as frequências que emana a runa vêm de dimensões espirituais.

Stadhagaldr não é somente uma técnica para captar e/ou emanar a energia de uma runa, é também um meio de elevar a consciência, usando o corpo como veículo e a energia de cada runa como combustível.

A concentração nos movimentos corporais, com o controle da respiração elevam a frequência cerebral; o foco mental na imagem da runa abre um portal para se acessar frequências ainda mais altas, o som emitido pelo praticante energiza o campo magnético gerado em torno dele. Desta forma é possível atingir maior concentração e aumento do nível de önd (energia vital). Se direccionada a um propósito específico ela traz mais energia para o intento, fortalecendo assim suas possibilidades. Stadhagaldr é recomendado para harmonização vibracional, aumento do nível de energia vital, autoproteção energética, fortalecimento de intentos, harmonização de ambientes, conexão com as runas para melhor compreendê-las e em práticas rituais com fins mais específicos como abertura e fechamento de círculos e portais.

Eu, particularmente, pratico Stadhagaldr a alguns anos colocando como propósito de minha prática apenas minha harmonização e o despertar de minhas qualidades divinas e posso garantir que elas são incríveis ferramentas de harmonização. Durante a prática surgem insights significativos para perguntas do dia-a-dia e a sensação de segurança e harmonia são sintomas comuns a partir de poucos dias de prática.

Você pode praticar a sequência de um alfabeto rúnico, como o Elder Futhark, ou apenas sequências específicas para determinados temas ou até mesmo palavras ou nomes de divindades. Pode fazer pausadamente respirando profundamente entre uma runa e outra ou num ritmo contínuo, como numa dança. Pode fazer por aetts ou uma runa apenas. Para explicar cada uma destas formas de Stadhagalr precisaria de um texto bem mais longo, mas já posso lhe garantir que a experiência é sempre válida tendo como únicas recomendações o conhecimento de cada runa, sua forma, nome e atribuições. Você pode começar com uma runa apenas, fazendo sempre três vezes e aumentar gradativamente, ao final de cada prática esvazie sua mente, respire profundamente e deite-se com o corpo virado para cima, ou fique em pé, com as mãos abertas, em postura receptiva, observe seu corpo, sinta o que mudou, não conclua nada, apenas sinta, em seguida direcione sua prática com uma palavra ou mantra pessoal, eu costumo repetir o galdr “Nam ek upp rúnar” (Eu peguei as runas). Sugiro que inicialmente não utilize a prática para intentos pessoais, permita-se sentir a vibração da runa e sua reverberação, os insights de como se utilizar desta prática para propósitos pessoais surgirão pouco a pouco.

Stadhagaldr é, a meu ver, a forma mais intensa e profunda de acessar a energia das runas. Contradições quanto a possibilidade ou não de ser uma prática antiga são diminutas comparadas ao incrível potencial de autotransformação que Stadhagaldr pode nos proporcionar.

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